A aplicação da Doutrina de Choque no Brasil

Publicado em: 04/09/2017 às 10:09
A aplicação da Doutrina de Choque no Brasil

Por José Álvaro de Lima Cardoso.*

No dia 29 de agosto o site Petronotícias publicou que a Petrobrás vendeu como sucata 80 mil toneladas de peças e aço que seriam as plataformas de petróleo P-71 e P- 72, que estavam praticamente prontas para serem montadas, no Estaleiro Ecovix, na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. A Gerdau está cortando todo o aço dos equipamentos e transformando em ferro fundido. Segundo o Presidente do Sindicato de Metalúrgicos local, “O que está sendo cometido é um crime (…) Compraram as chapas da Gerdau a peso de ouro, depois de dois navios praticamente prontos, vão picotar tudo e vender para Gerdau derreter e fazer novas chapas para vender novamente para a Petrobrás. A Gerdau comprou a preço de lixo”.

Esse processo em Rio Grande ilustra o que aconteceu em larga escala no Brasil a partir de 2014. A Ecovix tinha vencido licitação, em 2010, para montar oito plataformas para a Petrobrás. Três já estavam prontas, conforme a referida matéria. Com a chegada da Operação Lava Jato, a empresa foi considerada inidônea e os seus dirigentes chegaram a ser presos. Atualmente a empresa se encontra em processo de recuperação judicial. Em dezembro de 2016, o contrato da empresa com a Petrobrás foi suspenso e

3.500 metalúrgicos perderam seus empregos. A partir daí a empresa interrompeu os projetos e resolveu vender todos os equipamentos como sucata.

O que mais impressiona é que, nessa altura do campeonato, muitos ainda tenham dúvidas de que a operação da Lava Jato é um Cavalo de Troia, que veio para acabar com o que restou de soberania no Brasil, e destruir o setor de engenharia nacional. Do ponto de vista dos interesses do Imperialismo (tem também os vários interesses internos), o golpe veio para desmontar a Petrobrás, alterar a regra de exploração do pré- sal, além de alterar as políticas externas de caráter multilateralista, que resultaram nos BRICS, na integração sul-americana e em outros alinhamentos Sul-Sul.

É que o Brasil está sofrendo uma “terapia de choque” baseado na “doutrina de choque” já aplicada em outros países do mundo. A “terapia do choque” na área econômica geralmente necessita a utilização de força bruta, pois os seus efeitos são a retirada de direitos e o empobrecimento da população. Por isso, as experiências mundiais são de aplicação da Doutrina em ditaduras, como no golpe do Chile em 1973.

Nestes casos a população tem que aceitar a destruição de direitos “na marra”, sob pena de ser preso ou morrer na tortura, como ocorreu em vários países da América do Sul. No golpe atual no Brasil, apesar da democracia já ter sido extremamente restringida, o processo por enquanto é baseado predominantemente na mentira e na manipulação da opinião pública.

Somente um processo sofisticado de manipulação da população poderia possibilitar o apoio a uma operação entreguista como a Lava Jato, e aceitar com naturalidade o repasse ao Império do Norte, de petróleo, água, minerais e território para instalação de bases militares. Os esbirros da Lava Jato, ao invés de terem vergonha de estar trabalhando contra o povo que lhes paga os salários, morre de orgulho por estarem trabalhando em conjunto com os policiais do Departamento de Justiça do Estados Unidos. Alimentaram de informações uma potência estrangeira para prejudicar a maior empresa nacional do Brasil, e não sentem vergonha dessa atitude antinacional e entreguista. Com polpudos salários pagos pelo povo brasileiro, muitos deles ilegais, atuam com órgãos dos Estados Unidos, sem qualquer constrangimento, contra empresas brasileiras, e achando isso bonito ainda. Atacando inclusive, a indústria Eletronuclear, com a prisão do seu mentor e líder maior.

Os governos, a partir de 2003, ousaram praticar políticas minimamente soberanas, como a rejeição da Alca, e a organização do BRICS, que ameaça, inclusive a hegemonia do dólar, comprou aviões da Suécia, ao invés das empresas norte- americanas. Adquiriram helicópteros da Rússia e montaram o projeto de submarino nuclear em  parceria com  a França. Encaminharam  a votação, em  2010, da lei  de Partilha, contra o desejo das multinacionais do Petróleo. Além disso, se aproximou dos parceiros sul-americanos, fortaleceu o Mercosul e continuou o projeto de produção de enriquecimento de urânio, estratégico para o Brasil. Isto desagradou muita gente e a Lava Jato veio para ajudar a interromper esse processo.

Desde o início da operação os indícios de que os objetivos centrais da Lava Jato era quebrar a Petrobrás, abrindo caminho para mudar a lei de Partilha eram muito fortes:

  1. a) denúncias do Wikileaks de que os estadunidenses estavam preocupados com o crescimento da Odebrecht; b) grande contrariedade das multinacionais com a Lei de Partilha; c) financiamento, por parte dos bilionários do petróleo, Irmãos Kock, dos movimentos de direita no Brasil que tentavam desestabilizar o governo; d) visita do Procurador Geral da República aos EUA, com equipe de procuradores, para coletar informações que serviriam de munição para abrir processos contra a Petrobrás.

*Economista.

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