8M de vozes e alaridos, de feminismo nas ruas de Buenos Aires

Por Nabila Jatib, Buenos Aires, para Desacato.info.

Tradução: Raul Fitipaldi, para Desacato.info. (Port./Esp.)

Entre conceitos, acertos e prelúdios, chegou a Segunda Greve Internacional de Mulheres. Chegou como aquela data mensal pela qual, com ignorância, nos acusam de histéricas, de suscetíveis. Caiu em cima do sistema patriarcal que encerram os meios hegemônicos e sistemas monopólicos; desmaiou, ruiu, o desconstruímos com um coletivo feminista com base no respeito, a escuta, a educação, a incorporação de outros e outras que somaram vozes de reclamo e reconhecimento, de direitos alienados e batalhas vencidas, de experiências tão diversas quanto a feminidade em si própria.

O 8 de março ancorou para dar oportunidades a setores feministas marginados e invisibilizados que têm muito para dizer, assim como muito que denunciar. As mulheres hoje somos desprezadas por um sistema econômico e financeiro que nos limita no exercício de cargos governamentais, que não distribui salários equitativos, que nos exclui da participação unânime nos meios de comunicação, que recorta o orçamento para educação sexual e adia uma lei provisional gratuita de produtos de gestão menstrual e que, pior ainda, é funcional a um sistema que penaliza o aborto, conduzindo à morte a mais de 300 mil mulheres por ano. Vivemos numa sociedade que naturalizou o assédio na rua, que nos criminaliza como trabalhadoras sexuais, que nos convoca a palestras sobre gênero onde só dissertam homens, que nos impõem níveis de beleza que pouco têm a ver com nossa identidade latina, que não condena a violência obstétrica, que desaparece uma mulher por dia com total impunidade, que nega que as tarefas domésticas são o trabalho pior remunerado e que pergunta “o que foi que fizemos” quando se comete um feminicídio a cada 18 horas. Todas temos nossas razões, por isso nos organizamos.

Nos juntamos no 8M para nos abraçar, celebrar, motivar-nos, acompanhar-nos, conter-nos e empoderar-nos. Nos juntamos para dizer o que queremos e o que desprezamos, o que já não nos pertence só pela herança genital. Nos juntamos porque é a única forma de apaziguar o avassalamento institucional que nos dominava. Juntas na união de fazer nos ver como somos, com o que temos, com o que nos corresponde e escolhemos. Até hoje, o mundo falava de nós e hoje nos organizamos para falar por nós mesmas, sem padrinhos nem normas de acatamento ao “politicamente correto” para o macho. Hoje chegamos com nossos corpos regozijados de tamanha multidão, de sentir que o coração vai sair do lugar, do prazer frenético e satisfação expandida.

A Segunda Greve Internacional de Mulheres encheu as ruas portenhas de cores, brilhos, cantos, danças, alaridos e felicidade genuína. O coletivo se identificou com a bandeira estandarte de Vozes de Mulheres, Lésbicas, Travestis e Trans que desde as 0 h propuseram participar de um “orgasmatón”, um espaço para deixar sair – ou entrar – nossas paixões, às 11 h um “ruidazo” em redes sociais com paralisações e assembleias em lugares de trabalho e, finalmente, a concentração de organizações para a posterior mobilização ao Congresso da Nação. Dois tons em particular tingiram a jornada: o verde da Campanha Nacional pelo Aborto legal, Seguro e Gratuito, e o roxo que simboliza a luta contra a violência de gênero. Lenços, camisetas, bandeiras, perucas e muito glitter deram o toque final às mais de 80 mil mulheres manifestantes.

O ato central foi encabeçado pela jornalista Liliane Daunes sob consenso coletivo, quem expôs um manifesto detalhando as reivindicações que se efetuaram nas Assembleias de Mulheres durante todo o mês de fevereiro, entre as que se destacaram que as tarefas domésticas e do cuidado sejam compartilhadas, reclamação por condições justas e igualitárias em cada lugar de trabalho, pela equidade nos cargos políticos e de poder, pela paridade salarial, pelo aborto legal, seguro e gratuito, pelos direitos das trabalhadoras sexuais, em contra do ajuste e pela reintegração das trabalhadoras demitidas.

O vento soprava para o mesmo lado, a maré não esperou a lua para expandir-se por entre as máximas expressões de coragem e audácia, a corrente foi uma crescida crispada, foi a manifestação mais pura de sonoridade corporizada em todas nós. Fomos marco, fomos prazer cobrindo estigmas, gozo vencendo medos, fomos aluvião contra a opressão, uma manada de fêmeas avivando suas crias, fomos num dia o que nos propusemos ser sempre. Fomos como nos queiram chamar: marcha, greve, manifestação, paralisação.

Somos como queremos.


8M de voces y alaridos, de feminismo en las calles

Por Nabila Jatib, Buenos Aires, para Desacato.info.

Entre conceptos, aciertos y preludios se les vino el Segundo Paro Internacional de Mujeres. Se les vino como cuando a nosotras nos viene y con ignorancia nos acusan de histéricas, de susceptibles. Se les vino encima el sistema patriarcal que encierran los medios hegemónicos y sistemas monopólicos, se les desvaneció, se les cayó, se lo deconstruimos con un colectivo feminista con bases en el respeto, la escucha, la educación, la incorporación de otredades que sumaron voces de reclamo y reconocimiento, de derechos allanados y batallas vencidas, de experiencias tan diversas como la feminidad en sí misma.

El 8 de marzo se ancló para dar oportunidades a sectores feministas marginados e invisibilizados que tienen tanto para decir como mucho para denunciar. Las mujeres hoy somos denostadas por un sistema económico y financiero que nos limita a ejercer cargos gubernamentales, que no distribuye sueldos equitativos, que nos excluye de la participación ecuánime en los medios de comunicación, que recorta presupuesto para educación sexual y da vueltas a la positiva de una ley de provisión gratuita de productos de gestión menstrual y que, peor aún, es funcional a un sistema que penaliza el aborto conduciendo a la muerte a más de trescientas mil mujeres al año. Vivimos en una sociedad que naturalizó el acoso callejero, que nos criminaliza por trabajadoras sexuales, que nos convoca a conferencias sobre género donde solo disertan hombres, que nos impone estándares de belleza que poco tienen que ver con nuestra identidad latina, que no condena la violencia obstetricia, que desaparece a una mujer por día con total impunidad, que niega que las tareas domésticas son el trabajo peor remunerado y que pregunta “qué habremos hecho” cuando se comete un femicidio cada dieciocho horas. Todas tenemos nuestras razones, por eso nos organizamos.

Nos juntamos un 8M más para abrazarnos, celebrarnos, motivarnos, acompañarnos, contenernos y empoderarnos. Nos juntamos a decir lo que queremos y lo que despreciamos, lo que ya no nos pertenece solo por herencia genital. Nos juntamos porque es la única manera de apaciguar el avasallamiento institucional que nos dominaba, juntas en la unión de hacernos ver con lo que somos, con lo que tenemos, con lo que nos corresponde y elegimos. Hasta hoy, el mundo hablaba de nosotras y hoy nos organizamos para hablar por nosotras mismas sin padrinos ni normas de acatamiento a lo “políticamente” correcto para el macho. Hoy llegamos con nuestros cuerpos regocijados de tanta muchedumbre, de sentir que el corazón va a salirse de lugar, de goce frenético y satisfacción expandida.

El Segundo Paro Internacional de Mujeres colmó las calles porteñas de colores, brillos, cantos, bailes, alaridos y felicidad genuina. El colectivo se identificó con la bandera portadora de voces de Mujeres, Lesbianas, Travestis y Trans que desde las 00hs propusieron a una “orgasmatón”, un espacio para dejar salir – o entrar – nuestras pasiones, a las 11hs un “ruidazo” en redes sociales con paros y asambleas en lugares de trabajo y finalmente la concentración de organizaciones para la posterior movilización al Congreso de la Nación. Dos tonos en particular tiñeron la jornada: el verde de la Campaña Nacional por el Aborto Legal, Seguro y Gratuito y el violeta que simboliza la lucha contra la violencia de género. Pañuelos, remeras, banderas, pelucas y mucho glitter dieron el toque final a las más de ochenta mil mujeres manifestantes. El acto central lo encabezó la periodista Liliana Daunes bajo consenso colectivo, y expuso un manifiesto detallando los reclamos que se efectuaron en las Asambleas de Mujeres durante todo el mes de febrero. Entre los que se destacaron que las tareas domésticas y de cuidado sean compartidas, reclamo por condiciones justas e igualitarias en cada lugar de trabajo, por la equidad en los puestos políticos y de poder, por la paridad salarial, por el aborto legal, seguro y gratuito, para acabar por la feminización de la pobreza y la precarización laboral, por los derechos de las trabajadoras sexuales, en contra del ajusto y por la reincorporación de trabajadoras despedidas.

El viento soplaba para el mismo lado, la marea no esperó a la luna para expandirse por entre medio de las máximas expresiones de coraje y audacia, la corriente fue una crecida erizada, fue la manifestación más pura de sororidad corporizada en todas nosotras. Fuimos hito, fuimos placer tapando estigmas, goce venciendo miedos, fuimos un aluvión contra la opresión, una manada de hembras avivando a sus crías, fuimos en un día lo que nos propusimos ser para siempre. Fuimos como nos llamen: marcha, huelga, manifestación, paro.

Somos como queremos.

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