7 lideranças políticas quilombolas assassinadas em um ano no Brasil

Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará

Por Thalyta Martina.

Alma Preta.- A violência crescente no país deixa as lideranças políticas, figuras que estão a frente da luta por direitos, em situação de maior vulnerabilidade. As comunidades quilombolas, distantes dos centros urbanos e compostas por população negra, são alvos da violência, seja pela polícia, ou pessoas mandadas por políticos, fazendeiros, grileiros, donos de grandes empresas, entre outros.

Em 2017, de acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foram 70 assassinatos em conflitos no campo, quantia 15% maior do que a de 2006. É o maior número desde 2003, quando 73 pessoas morreram nesses conflitos.
A Comissão registra os dados de conflitos no campo de modo sistemático desde 1985. Entre 1985 e 2017, a CPT registrou 1.904 vítimas de conflitos no campo. A organização ainda aponta que apenas 113 casos foram julgados, o que corresponde a 8% do total.

Uma das frentes ameaçadas pelo atual cenário brasileiro é a dos quilombolas. Desde o início do governo Temer, em 2016, uma série de retrocessos contra essa parte da sociedade foi decretada. Entre as medidas alarmantes, estão a de estimular vendas de lotes já assentados por meio da titulação privada e individual; corte de verbas para órgãos como o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária); legalizar pagamentos de assalariados rurais com comida e aluguel; e acabar com a demarcação de terras dos povos indígenas, quilombolas e reservas ambientais.

Tendo em vista esse cenário, fizemos uma lista com lideranças quilombolas mortas nos últimos meses.

Raimundo Silva, “Umbico”

Raimundo Silva, morador da Comunidade Quilombola do Charco, localizada no município de São Vicente Ferrer, no Maranhão, foi assassinado no dia 12 de abril de 2017, aos 57 anos. Foi morto com um tiro nas costas, em uma emboscada, quando voltava para a Comunidade Charco, local onde há anos as famílias são pressionadas por causa da luta pelo direito à terra. Pelas circunstâncias do crime, familiares da vítima acreditam em execução por encomenda. A polícia civil investiga o caso.

Maria Trindade da Silva Costa

Maria Trindade da Silva Costa, moradora da Comunidade Quilombola Santana do Baixo Jambuaçu, localizada no município de Moju, no Pará, foi morta no dia 23 de junho 06 de 2017, aos 68 anos. Ela atuava em defesa dos direitos quilombolas no estado do Pará.

O corpo da vítima foi encontrado por familiares no dia 25 de junho, dois dias depois do desaparecimento de Maria Trindade, no dia 23. O crime ocorreu na comunidade Quilombola Santana do Baixo Jambuaçu, em Moju, município palco de conflitos entre latifundiários grileiros e quilombolas. A imprensa local não relaciona o crime a conflitos agrários. Agentes da CPT Pará discordam.

José Raimundo Mota de Souza Júnior

Morador da Comunidade Quilombola Jiboia, localizada no município de Antônio Gonçalves, na Bahia, José Raimundo foi morto, aos 38 anos, no dia 13 de julho de 2017 com mais de 10 tiros.

Há anos contribuía com a luta pela regularização do território da Comunidade Quilombola Jiboia, local em que morava. Integrava a equipe de coordenação estadual do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) no estado da Bahia.

Flávio Gabriel Pacífico dos Santos

Morador da Comunidade Quilombola Pitanga dos Palmares, localizada em Simões Filho, na Bahia, Flávio Gabriel foi morto com 10 tiros no dia 19 de setembro de 2017. Tinha 36 anos e era uma liderança quilombola na região.

Atuava em prol dos direitos das comunidades quilombolas, principalmente a de Pitanga dos Palmares, local em que morava, uma área cobiçada pelos empreendimentos imobiliários. Junto com outras lideranças, atuava em três frentes: contra o lixão que está sendo construído em Simões Filho, pelo não pagamento de pedágio instalado perto da comunidade em que residia e contra as invasões nos territórios quilombolas, por parte de grandes indústrias.

Fernando Pereira

Fernando Pereira, liderança da Comunidade de Jardim Canaã, localizada no município de Barcarena, no Pará, foi morto a tiros no dia 22 de dezembro de 2017.

Ele também era membro da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia-Cainquiama, e estava envolvido na denúncia de conflitos fundiários na região e no combate aos crimes socioambientais protagonizados pela empresa Hydro, que explora bauxita para produção de alumínio e tem um rol extenso de ilícitos cometidos ao longo de uma operação de mais de três décadas.

Paulo Sérgio Almeida Nascimento

Paulo Sérgio, segundo-tesoureiro da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama), localizada em Barcarena, no Pará, foi assassinado a tiros na madrugada do dia 12 de abril de 2018 no Ramal Fazendinha, zona rural do município.

Ele tinha 47 anos e era uma liderança envolvida nos protestos contra crimes ambientais das mineradoras e conflitos fundiários na região. Uma das últimas denúncias foi contra a refinaria Hydro Alunorte, que é investigada por acusação de poluir mananciais com materiais químicos na região.

Nazildo dos Santos Brito

Nazildo dos Santos, líder da Comunidade de Remanescentes de Quilombo Turê III, localizada entre os municípios de Tomé-Açu e Acará, no Pará, foi morto a tiros no dia 15 de abril de 2018 na estrada para a comunidade, quando voltava para casa. Ele era ameaçado de morte por denunciar crimes ambientais da Biopalma da Amazônia S/A, subsidiária da Vale.

Nota: Algumas das informações e nomes das vítimas foram tiradas do CEDOC Dom Tomás Balduino – CPT.

Flávio Gabriel


Raimundo Mota

Paulo Sérgio

Nazildo dos Santos

 

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