25 de maio de 1962 – É fundada a banda de rock britânica The Rolling Stones

Publicado em: 25/05/2014 às 10:22
25 de maio de 1962 – É fundada a banda de rock britânica The Rolling Stones

Por Max Altman.

Em 25 de maio de 1962, na Inglaterra, nascia The Rolling Stones, uma das bandas de rock mais antigas ainda em atividade. Ao lado dos Beatles, os Rolling Stones foram considerados os mais importantes da chamada “Invasão Britânica” dos anos 1960, tendo influenciado diversos grupos musicais posteriores e, além disso, os próprios costumes da sociedade da época.

Formado por Brian Jones, Keith Richards, Mick Jagger, Bill Wyman e Charlie Watts, o grupo se inspirou no blues para criar seus ritmos. Em 50 anos de carreira, a banda tornou-se conhecida em todo o mundo por sucessos como “Beast of Burden”, “Tumbling Dice”, “Ruby Tuesday”, “Wild Horses” “(I Can’t Get No) Satisfaction”, “Sympathy for the Devil” e “Angie”. Os Rolling Stones já venderam mais de 240 milhões de álbuns no mundo inteiro.

[Logotipo oficial dos Rolling Stones] 

logo rolling

Tudo começou em 1960, quando Mick e Keith, dois amigos de infância, se reencontraram em um trem na estação de Dartford, Inglaterra, e descobriram um interesse em comum por blues e rock and roll. Foram convidados pelo guitarrista Brian Jones em 1962 a montar uma banda que se chamaria The Rolling Stones. O nome foi utilizado pela primeira vez em sua apresentação no Marquee Club de Londres em 12 de julho de 1962.

A boa repercussão nas apresentações ao vivo, somada à habilidade promocional de seu empresário, levou a banda a um contrato com a Decca Records. O empresário promove a banda com imagem de rebeldes e cria a pergunta: Você deixaria sua filha se casar com um Rolling Stone?.

Os primeiros singles foram bem aceitos. O primeiro álbum, intitulado The Rolling Stones, saiu em abril de 1964, contendo apenas uma composição de Jagger e Richards. Pouco a pouco, tendo em Out Of Our Heads, de 1965, o primeiro de uma série de discos, composições da dupla Jagger-Richards passaram a ser valorizadas. É nesse ano que a banda lança seu maior hit de todos os tempos, “(I Can’t Get No) Satisfaction”.

Com o álbum Aftermath, de 1966, a banda começaria uma fase de músicas mais longas e de arranjos mais elaborados. O flerte com o rock psicodélico e experimental teria seu ápice em Their Satanic Majesties Request, de 1967. Com Beggar’s Banquet (1968) haveria a volta ao estilo mais próximo ao R&B que os fizeram famosos. São desta época dois dos maiores hits da banda, Jumpin’ Jack Flash e a controversa Sympathy For The Devil – que Mick disse ter se inspirado em uma visita a um centro de candomblé na Bahia – música responsável pela maior parte das acusações de satanismo que a banda iria sofrer desde então.

Em 1969 Brian Jones oficialmente abandona os Stones, sendo substituído por Mick Taylor. Poucos dias depois, Jones seria encontrado morto afogado em sua piscina em Sussex, em circunstâncias pouco esclarecidas. Na semana seguinte, a banda deu um concerto memorável no Hyde Park, Londres, diante de um público de 300 mil pessoas. O palco estava decorado com uma enorme foto colorida de Jones. Jagger, vestido de branco, interrompeu a apresentação para ler uma passagem do poema Adonais de Percy Shelley, em memória do amigo problemático, enquanto três mil borboletas eram soltas ante a emoção da plateia.

Em 6 de dezembro de 1969, o grupo chegou a Altamont, Califórnia, para uma apresentação ao ar livre, com plateia de mais de meio milhão de espectadores. A segurança estava sob responsabilidade da agência Hell’s Angels, uma gangue de motoqueiros violentos e arrogantes. Quando os Rolling Stones finalmente foram se apresentar, a multidão ficou histérica, e os Hell’s Angels reagiram selvagemente. No dia seguinte os Rolling Stones tomaram conhecimento de que quatro pessoas haviam sido assassinadas. O que aconteceu naquele fatídico dia está registrado no filme “Gimme Shelter”, de 1970. Ainda em 1969 os Stones lançaram Let It Bleed, visto como sátira ao Let It Be, dos Beatles. Em 1970 sai Get Your Ya-Ya’s Out, o primeiro disco ao vivo, gravado no Madison Square Garden.

Em 1971 a banda passa para a Atlantic Records, estreando o selo próprio, Rolling Stones Records. Nesse ano o grupo lançou um dos seus álbuns mais curiosos, Sticky Fingers, cuja capa foi idealizada por Andy Warhol com uma foto de uma pélvis atribuída a Jagger e cujo LP original possuía um zíper que podia ser aberto e mostrava a figura de uma cueca.

Wikicommons

Jagger-Richards

Mick Jagger e Keith Richards em um show na cidade de São Francisco, em 1972

Keith Richards, encontrando-se no interior da França para tentar se livrar das drogas,  chama Mick Jagger para compor. Os dois se juntam por várias semanas e produzem dezenas de novas composições. Para lá é enviado o estúdio móvel de gravação da Rolling Stones Records. Após a mixagem lançam, em 1972, o álbum duplo Exile on Main Street, considerado pelos críticos como o melhor álbum da banda pela sua consistência, plasticidade e versatilidade que inclui “Tumblind Dice”, hit até os dias de hoje.

Em 1973 lançam o álbum Goats Head Soup, conhecido pelo hit “Angie” e pela polêmica “Star Star”. Em 1974 gravam o clássico “It’s Only Rock’n’Roll”. Com a saída repentina de Mick Taylor, Wood assume a segunda guitarra.

Embora a turnê de 1975 tenha sido batizada de Tour Of The Americas pois previa, além dos Estados Unidos e Canadá, shows no Brasil, México e Venezuela, estes últimos não ocorreram por restrições políticas dos governantes, preocupados com a imagem de desordeiros e drogados da banda, que desagradava seus regimes.

Lançam, então, Black & Blue (1976), um disco mais intimista com fortes participações de convidados, como Billy Preston. O álbum seguinte é Love You Live (1977), gravado na turnê européia de 1976, bastante heterogêneo. Em (1978) lançam Some Girls, que era bem mais pesado do que os recentes trabalhos. Este disco é fortemente influenciado pelo movimento punk surgido na Inglaterra no ano anterior, com temas rápidos e agressivos como “Respectable” e “When The Whip Comes Down”. A nova turnê pelos Estados Unidos mostrou a tendência visual a ser explorada: moda de shows gigantescos de duração de três horas, palcos móveis e desmontáveis e toneladas de equipamentos de som e luz. Em 1980 lançam um disco mais linear, Emotional Rescue, com o hit de mesmo nome.

Em 1981 a banda deixa a Atlantic Records e assina com a EMI. O álbum de estreia é Tatoo You, tido pelos fãs como o melhor álbum da banda. Nele se destacam inúmeros sucessos como a explosiva “Start Me Up” e a balada “Waiting On A Friend”.

Lançam em solo norte-americano, em 1982, o álbum ao vivo Still Life e o filme Let’s Spend the Night Together, sob a direção de Hal Ashby, exibindo o vigor juvenil de Jagger e a reabilitação de Richards das drogas.

O relacionamento entre os membros da banda não era dos melhores, com desentendimentos freqüentes entre Jagger e Richards. Especulações sobre o fim da banda duraram seis anos, embora o clima ruim não impedisse que continuassem sendo lançados álbuns de repercussão cada vez maior.

Fonte: Ópera Mundi.

Os Stones adentraram a década de 90 com uma nova gravadora, a CBS, em meio a rumores de que Jagger e Richards não podiam nem mesmo dividir uma mesma sala sem se engalfinharem. Todavia, os problemas pessoais foram colocados de lado e a banda se apresentou como nos velhos tempos. Reflexo disso é o álbum Flashpoint de 1990, que traz os Stones de volta aos palcos depois de sete anos.

Outro membro original, Bill Wyman, deixa o grupo em 1993. Para o seu lugar é escalado o baixista Darryl Jones, músico apenas contratado, não sendo considerado membro oficial.

Em 1994, após um longo período de inatividade, é lançado com grande estardalhaço o álbum Voodoo Lounge, seguido pela turnê internacional de mesmo nome que se iniciou em 19 de julho de 1994 e foi encerrada em 30 de agosto de 1995, tendo arrecadado em torno de 400 milhões de dólares.

No ano seguinte lançam The Rock and Roll Circus, trilha sonora de um filme arquivado desde 1968 com a inclusão de diversos artistas. Ainda em 1997 sai Bridges of Babylon, com uma capa luxuosa e uma excursão mundial igualmente grandiosa. Com dois shows no Brasil e com participação especial de Bob Dylan, confirmaram o país com status de rota obrigatória. Retrato dessa turnê foi o lançamento do álbum ao vivo No Security, em 1998.

Para comemorar os 40 anos do grupo, em 2002 lançam o álbum duplo Forty Licks que traz, além de 36 sucessos da banda, 4 novos hits: “Don’t Stop”, “Keys To Your Love”, “Stealing My Heart” e “Losing My Touch”. Em agosto do mesmo ano empreendem uma de suas maiores turnês – a Licks Tour – que passou por todos os continentes, encerrada em novembro de 2003. Ao final do mesmo ano lançam o esplêndido DVD quádruplo Four Flicks, mostrando cada um dos formatos de suas apresentações e toda a vitalidade dos músicos sessentões.

Quando todos imaginavam o fim da banda, devido a um câncer na garganta do baterista Charlie Watts, o vigor incansável do quarteto com ênfase nas belas letras de Jagger e Richards produz um de seus melhores álbuns de estúdio. Lançado em 2005, A Bigger Bang traz uma sonoridade crua e voltada às raízes da banda: rock and roll, blues e rhythm and blues, além das pegadas das guitarras da dupla Richards/Wood, bem como para a harmonia melodiosa de Jagger.

Em 18 de fevereiro de 2006, os Rolling Stones voltaram ao Brasil para o show da turnê A Bigger Bang. O show, realizado nas areias de Copacabana para um público estimado em 1,5 milhão de pessoas, entrou para a história como um dos maiores concertos de rock de todos os tempos.

Dois anos após a turnê A Bigger Bang, que arrecadou 437 milhões de dólares, recorde na história da música, os Stones anunciaram, em 22 de março de 2007, uma lista de novos shows pelo velho continente, que durou mais de um ano, com arrecadação de 560 milhões, novo recorde, apresentando-se para quase seis milhões de espectadores, inesgotável energia que os movia por mais de 45 anos de estrada. Em 12 de junho de 2007, foi lançado o DVD The Biggest Bang com mais de sete horas de shows.

Em 04 abril de 2008, estreou em cinemas no mundo inteiro o filme The Rolling Stones Shine a Light, dirigido por Martin Scorsese – um declarado fã da banda.

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