Politikos. Por Jean Carlos Carlesso.

Foto: Antonios Ntoumas por Pixabay.

Por Jean Carlos Carlesso, para Desacato. info.

Nossa língua, que descende do latim, que por sua vez descende do grego, teve diversas mutações de significado da palavra POLITIKOS. Nessas idas e vindas da evolução linguística, chegamos no século XXI com a palavra “política”.

Mas afinal de contas, o que é política? Para os gregos significava administrar a cidade (polis), a arte que se utilizava para decidir o destino da nação.

Todavia, essa palavra sofreu evolução, e de tempos em tempos novos sentidos foram dados a ela, chegando ao atual conceito (que para este escritor mais bem define o conceito moderno da palavra) de que é a arte/ciência de decidir o que fazer com os recursos finitos do Estado para as demandas infinitas da sociedade.

Contudo, creio que é a primeira vez na história humana que se impregnou na definição da palavra o sentido de algo ruim, indesejado, de algo que se deve evitar. Chegou ao ponto de virar quase um palavrão, uma ofensa.

Vulgarmente não é incomum alguém usar a palavra política (ou político) como sinônimo de mentiroso, dizendo nos bares das esquinas “não dê ouvido para ele, parece que é político!”.

Isso não é bom, pois independente do sentido que popularmente se dá para a palavra, a política no seu sentido clássico, é algo indispensável para o bem estar do povo e o futuro da nação, pois é ela que pode colocar a nação no rumo certo em vez de ir de frente com um trem descarrilhado.

Não tentar reverter essa noção corrompida da palavra significa abrir espaço para generalização que somente atende àqueles que não querem o bem estar da sociedade.

Charlatões e corruptos esbanjam propaganda com a bandeira da “anticorrupção” e da “ética”, servindo de verdadeira isca para os incautos, que votam nessas figuras e, logo em seguida, voltam a se decepcionar (o que reforça o conceito popular do termo) ao ver seus arautos da ética enroscados em tramoias para roubar a coisa pública.

Penso que na democracia a escolha eleitoral deve se pautar definitivamente nas posições e proposta dos candidatos nas ideias e planos do que fazer com os recursos finitos do Estado, pois pautar-se pelo discurso popular da anticorrupção pode significar cair em erro novamente e ficar nesse loop eterno das más escolhas e dos políticos corruptos.

Precisamos voltar a por no centro da roda as coisas públicas, e deixar o discurso da anticorrupção para a polícia e o judiciário.

Enquanto ficarmos discutindo somente a corrupção, aqueles políticos que alcançam o poder com somente esse discurso ficam gastando verdadeiras fortunas em coisas que não são de interesse da sociedade, e que certamente não ganharia o voto do povo se abertamente falasse isso.

Por esse motivo, penso que toda a sociedade precisa, de uma vez por todas, dar mais atenção à destinação da coisa pública, pois dai sim iremos nos deparar com a verdadeira corrupção, aquela que é feita legalmente e está ai para todos verem, mas que ninguém vê ou sabe, como por exemplo as fortunas que são “roubadas” através da destinação dos recursos finitos em coisas que não são do interesse da maioria.

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Jean Carlesso

Jean Carlos Carlesso é Advogado, de São Miguel do Oeste/SC. Formado em direito pela Universidade do Oeste de Santa Catarina – UNOESC – e especialista em direito penal e processo penal pela Faculdade de Direito Damásio de Jesus.

 

 

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