MEC despreza consulta a estudantes e marca Enem para janeiro

Segundo a União Nacional dos Estudantes (UNE), enquete realizada pelo próprio ministério apontou que a maioria dos participantes preferia provas em maio

58% das casas no Brasil não têm acesso a computadores e 33% não dispõem de internet (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Por Cida de Oliveira.

O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), anunciaram ontem (8) o calendário de provas referentes a 2020. Os exames serão aplicados entre os meses de janeiro e fevereiro do próximo ano. O anúncio foi feito pelo secretário-executivo do MECAntonio Paulo Vogel, e o presidente do Inep, Alexandre Lopes, durante entrevista coletiva, em Brasília.

De acordo com Vogel e com Lopes, os 5,7 milhões de estudantes inscritos para as provas impressas farão o teste em 17 e 24 de janeiro. Já os 96 mil inscritos na modalidade digital, em 31 de janeiro e 7 de fevereiro. Os resultados serão divulgados a partir de 29 de março.

Conforme Vogel, a decisão pode não ser “perfeita e maravilhosa para todos”, mas a decisão foi “técnica” e mais adequada para todos, já que foi necessário articular o calendário com estados e universidades”, disse, referindo a uma enquete que apontou que a maioria dos participantes votou no mês de maio. Mas o governo acredita que o calendário não prejudicará os aprovados quanto ao ingresso nas universidades ainda no primeiro semestre.

O secretário-executivo argumentou que, caso as provas ficassem para maio, os estudantes perderiam o primeiro semestre, já que entrariam somente no segundo semestre na universidade. Segundo o Inep, as questões já estavam prontas mesmo antes de o novo coronavírus chegar ao país.

Desprezo

Se dependesse do ministério, as provas seriam feitas em novembro. Mas houve forte pressão de estudantes e professores, argumentando que a maioria dos alunos seriam penalizados. A maioria não tem acesso a internet e nem lugar adequado para estudar em casa. Com isso, aumentaria a desigualdade no acesso às universidades. Diante da intransigência do governo, houve questionamento judicial e o caso foi parar no Congresso, que votou pelo adiamento.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) criticou o calendário adotado. “A divulgação das novas datas para o ENEM 2020 escolhidas pelo MEC (17 e 24 de Janeiro) só demonstram como eles tratam a opinião dos estudantes: com desprezo! Não escutaram as entidades estudantis em nenhum momento e ignoraram o resultado da consulta que eles mesmos fizeram!”, afirmou o presidente da entidade, Iago Montalvão, por meio do Twitter.

“É claro que a opinião de reitores e secretários de Educação é importante. Mas o MEC decidiu não ouvir os principais envolvidos na decisão das novas datas do ENEM: os estudantes. É assim que esse governo fala em democracia.”

1 COMENTÁRIO

  1. A consulta foi feita apenas para dar uma satisfação à sociedade diante das pressões pelo adiamento; a decisão já havia sido tomada pelos integrantes do desgoverno de bolsovírus antes da própria consulta realizada por eles mesmos. Por que eles não perguntam se os estudantes não preferem perder um semestre, mas em contrapartida a fazer uma prova com tranquilidade e maior equidade entre os mesmos???

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