Campanha “A Parada é no Hemocentro” incentiva a doação de sangue por LGBTQ+em Chapecó e Xanxerê

Wesley realizou sua primeira doação de sangue ao lado de sua melhor amiga, Paula Mayara. Segundo ele, o sentimento que ficou foi de gratidão por todas e todos que lhe possibilitaram fazer história e por poder ajudar quem precisa. Foto: Arquivo pessoal

Chapecó, 22 de junho de 2020.

As frações da União Nacional LGBT de Chapecó e Xanxerê, em parceria com a ex-presidenta da organização e agora pré-candidata a vereadora de Chapecó, Carol Listone (PCdoB) lançaram na última semana a campanha “A Parada é no Hemocentro”, em incentivo à doação de sangue pela comunidade LGBTQ+. A campanha foi viabilizada após decisão do Supremo Tribunal Federal de derrubar as restrições à doação de sangue por gays, bissexuais, transsexuais e travestis no início deste mês, e a regularização por parte do Ministério da Saúde no último dia 12.

A campanha se estenderá pela semana do Orgulho LGBTQ+ (20 a 28 de junho) em substituição à tradicional Parada de Luta LGBT do Oeste Catarinense, realizada há quatro anos em Chapecó pela UNA LGBT. O ato não pôde ser realizado este ano por conta da pandemia de COVID-19.

Carol Listone conta que a ideia d’A Parada é no Hemocentro surgiu para converter a mobilização da Parada e celebrar a conquista. “Chegamos à ideia da doação de sangue para cumprir o nosso papel com a sociedade e fazer valer nossa conquista ajudando a salvar vidas. Sabendo que todo sangue é testado, delimitar a população LGBTQ+ como grupo de risco única e exclusivamente por nossas sexualidades ou identidades de gênero é um ato preconceituoso. O termo correto agora é comportamento de risco, pois a suscetibilidade de contágio está em todas relações sem prevenção, seja ela hétero ou homoafetiva”, explica Listone.

A atual presidenta UNA LGBT Chapecó, Liliane Araújo explica que a campanha visa trabalhar sob a perspectiva de mostrar à sociedade que as diferenças entre as pessoas não são delimitadoras ou excludentes. “Nós somos todos diversos individualmente, mas temos compromissos sociais coletivos”, afirma.

Para Liliane, movimentos includentes permitem a evolução da sociedade como um todo. “Apesar de ser uma população marginalizada, sobre a qual pesa o estigma de doenças e desajustes, a comunidade LGBTQ+ contribui socialmente em várias áreas. O que é trivial para muitos, acaba por se tornar um direito a ser comemorado e uma forma de resistir”, complementa a presidenta.

O estudante Wesley Caetano Lima, 19, realizou sua primeira doação de sangue assim que a campanha foi anunciada. Ele conta que poder doar após anos de luta e resistência foi umas melhores sensações que já teve. “Confesso que o tempo todo eu estava nervoso e apreensivo. A cada etapa eu esperava a reprovação de quem conduzia o processo, mesmo que todos tenham sido gentis. Acho que isso aconteceu pelo fato de algumas repreensões que passei durante a vida por ser LGBT. Só no final eu consegui sentir a sensação de libertação, pois ali já não tinha mais ninguém que pudesse me reprovar. Afinal, eu havia doado sangue pela primeira vez”, conclui Wesley.

A União Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – UNA LGBT de Chapecó (SC) existe desde 2016 como o primeiro diretório da entidade nacional no estado de Santa Catarina. Ela atua no campo político e tem como missão lutar pela garantia e ampliação dos direitos da população LGBT e sua emancipação social e financeira por meio de ações de formação e debates. A Parada de Luta LGBT do Oeste Catarinense é a maior ação promovida pela entidade, e recebe públicos de toda a região e outros estados.

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