Dica: 5 filmes pernambucanos que discutem racismo, desigualdade e ancestralidade

Protestos antirracistas reacenderam a necessidade de discutir também mais igualdade no acesso aos recursos audiovisuais

Imagem Ilustrativa: Free-Photos por Pixabay.

Por Iyalê Tahyrine

As últimas semanas foram marcadas por intensos debates nas redes sociais e veículos de comunicação sobre o racismo no Brasil. Desde o assassinato de George Floyd por um policial branco nos Estados Unidos, até a recente morte do menino Miguel Otávio, no Recife, uma onda de protestos e solidariedade à luta antirracista vem ganhando força.

Pensando nessa questão, resolvemos selecionar alguns longas-metragens, disponíveis para assistir online, que trazem reflexões sobre a questão racial no Brasil. Os filmes abordam diversas questões, tais como o lugar na esfera social que a população negra ocupa e os resquícios da escravidão que ainda permeiam nossas relações sociais, mas também um olhar de afeto e respeito à ancestralidade presente nas religiões de matriz africana.

Importante destacar que a maioria dos realizadores dos filmes listados são homens brancos e há uma crítica de diretores e diretoras negras sobre o acesso aos grandes orçamentos para produção de longas. O que não significa que não há produção. Nas listas anteriores produzidas pelo Brasil de Fato Pernambuco, conseguimos reunir algumas das várias produções de realizadoras pernambucanas, tanto de documentários como curtas, em sua maioria mulheres negras.

Rio Doce/CDU – Adelina Pontual (2013)
O filme percorre a longa viagem pelos subúrbios de Olinda e Recife com o itinerário do ônibus Rio Doce/CDU. Esta linha cruza parte destas duas cidades pernambucanas, cortando antigos bairros, revelando uma diversidade de paisagens urbanas, das periferias ao centro universitário e as pessoas que habitam aqueles locais, ali trabalham, ou apenas se deslocam de um ponto a outro.  O filme está disponível no Cinemateca Pernambucana com versão acessível legendada.

Ramo – Hugo Coutinho, Joa?o Lucas, Pedro Andrade e Rafael Amorim (2018)
Primeiro longa metragem da produtora Jacaré Video, o documentário retrata a peregrinação de cavaleiros ao santuário de São Severino do Ramo localizado em Paudalho, Zona da Mata pernambucana. No primeiro final de semana de dezembro, um grupo de criadores de cavalo segue do Recife para Paudalho há quase 40 anos. A pesquisa para o Ramo envolveu idas à vários bairros das periferias de Recife, Olinda e Camaragibe. Foi nessas idas que os diretores conheceram criadores, catadores, carroceiros, donos de estábulos e terrenos de competição de argolinha Ramo traz registros da peregrinação nos anos de 2009, 2010, 2011, 2013 e 2014, ficando de fora apenas 2012. A película está disponível no site da Jacaré Vídeo.

O som ao redor – Kleber Mendonça Filho (2012)
Primeiro longa metragem de Kleber Mendonça Filho, O Som ao redor é um retrato da classe média recifense com seus medos e bagagens coloniais. Em um quarteirão de um bairro na zona sul do Recife, são revisitadas instituições nacionais aparentemente ultrapassadas como a casa grande e a senzala, o racismo de entrelinhas e o patrimonialismo mas que, na prática, permanecem atuais. O Som ao redor está disponível na plataforma de streaming Netflix.

Doméstica – Gabriel Mascaro (2012)
Sete jovens de diferentes condições sociais são responsáveis por filmar durante uma semana a rotina de trabalho das suas empregadas domésticas. O cotidiano do trabalho e suas histórias de vida são reveladas ao espectador nas demonstrações complexas de afeto e poder.

Babá Paulo Braz – Conexão Ifé –  Gustavo H. Almeida (2014) 
As relações entre Brasil e África datam de muito tempo e, cada vez mais, os afrodescendentes brasileiros buscam resgatar e manter suas raízes da terra-mãe, muitas vezes, preservando seculares tradições culturais, artísticas e religiosas. O longa documentário de Gustavo Almeida registra a viagem do babalorixá pernambucano Paulo Braz ao berço sagrado da civilização iorubana, na Nigéria.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.