Campesinato. Por Tayson Bedin.

Foto: Arquivo PJMP/PJR- Jornal Comunitário.

Por Tayson Bedin.

O AGRO é Pop, é Tec, é Tudo… É tóxico, é poluidor, é assassino, é criminoso, é cruel, é coronel, é machista, é incompatível com a soberania do país e patrocinador do momento de perca dos direitos trabalhistas e deste governo eleito com posturas pró-tortura e perseguição política aos desafetos dos grupos da elite nacional.

No Brasil, país de matriz agrária e economia capitalista dependente, a permanência da juventude no campo, a própria permanência dos camponeses no campo e também das camponesas, nada disso é igual, bonito, fácil ou impossível. Ousar problematizar a hegemonia agrária do agronegócio no Brasil é sempre inconcebível aos olhos do senso comum, da mesma forma que problematizar a industrialização e os grandes empreendimentos como geradoras de emprego e promotoras do desenvolvimento local e nacional.

A distribuição geográfica da população mundial está até que enfim mudando de maioria rural, para maioria urbana. Isso atrelado ao modo de produção agrícola necessário para manter as cidades é bem complicado, e o juízo de valor precisa ser ético e científico, ou caímos em abismos contraditórios que levariam a sociedade a um modo de vida decadente e passivo de insustentabilidade.

Uma agricultura sem camponeses é um projeto de agricultura empresarial, de latifúndios, ambientalmente insustentável. Ocupar áreas de preservação é uma sempre tentativa do agronegócio, como se preservar tivesse que ficar restrito apenas a algumas áreas, pois a agricultura em si tornou-se predatória. Mas será que é assim mesmo, tão perigoso? Será que sempre foi assim também? Desde quando existe agricultura? Se não foi sempre predatória, desde quando está sendo? Algumas perguntas básicas, que não podem ser esquecidas, digo esquecidas por que elas são recorrentes no campo científico e também no imaginário cultural camponês. A vida urbana acabou sendo associada a progresso, desenvolvimento e evolução humana, em um mundo capitalista, patriarcal e hominizado… Nessas condições o camponês passou a ser o oposto, o atrasado, o rudimentar e o sem futuro. Será?

Publicado originalmente em: Jornal Comunitário.

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Tayson Bedin é Camponês. Militante da Pastoral da Juventude Rural (PJR) no Extremo-oeste de Santa Catarina. Formado em Serviço Social pela Universidade do Oeste de Santa Catarina.

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