Público do CCBB teme falta de investimentos com privatização dos bancos públicos

Instituição gerida pelo Banco do Brasil completou 30 anos no Rio e bateu recorde de visitação com exposição sobre Egito

Por Eduardo Miranda

Pirâmide no saguão do CCBB chama atenção do público para a exposição “Egito Antigo: do cotidiano à eternidade” / Divulgação

Um dos lugares mais queridos do Rio de Janeiro, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) bateu mais um recorde na semana passada, ao alcançar 1 milhão de visitantes na exposição “Egito Antigo: do cotidiano à eternidade”, que fica em cartaz até 2 de fevereiro. Até então, o recorde da instituição era com a exposição sobre o pintor Salvador Dalí, que teve 978 mil visitantes.

As notícias de privatização de bancos públicos, como o Banco do Brasil e a Caixa, que tem a Caixa Cultural como braço cultural gratuito, no governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) preocupam tanto a população que frequenta o CCBB quantos os produtores culturais.

Frequentadora do CCBB desde meados dos anos 1990 (a instituição carioca completou 30 anos em novembro do ano passado), a chefe de cozinha Ludmila Teteas afirma que o centro cultural precisa, sim, é de mais investimentos.

“É uma instituição que tem que ser cada vez mais louvada, precisa sempre de mais investimentos, porque com certeza é relevante para estudantes, para crianças, para adultos, para quem tem e para quem não tem dinheiro para ter acesso à arte e cultura”, afirma a frequentadora do CCBB.

Já a diretora Inez Viana lembra de episódios recentes de censura em função de pressão do governo Bolsonaro. Foi o caso dos espetáculos cênicos “Caranguejo Overdrive”, da Aquela Companhia de Teatro, e “Gritos”, da Cia Dos à Deux. “Justo na comemoração dos 30 anos do CCBB RJ, evidenciando uma ação que vai de encontro ao que esse governo pensa, quando menospreza a cultura e os artistas brasileiros, atingindo principalmente a população e a democracia brasileira. Portanto, o Banco do Brasil, o CCBB seria obviamente extinto e quem vai mais perder, sem dúvida, é o público”, completa.

Referência

Ludmila Teteas completa que o centro cultural é responsável pela sua formação.“Na minha adolescência, minha família era pobre e os programas culturais tinham que ser baratos. O CCBB abriu as portas para eu conhecer mais de artes plásticas, teatro, literatura e cinema. Saía de casa só com o dinheiro da passagem e passava o dia lá. Depois, já na universidade, a biblioteca e o todo o centro cultural me ajudaram muito para que eu continuasse a faculdade”, conta Ludmila.

Diretora de teatro e da Cia OmondÉ, Inez Viana, atualmente em cartaz no Teatro Firjan Sesi Centro com a peça “Auto de João da Cruz”, com texto de Ariano Suassuna, destacou, em entrevista ao Brasil de Fato, nomes importantes das artes plásticas e cênicas que passaram pelo CCBB. Recentemente, ela esteve em cartaz lá como atriz no espetáculo “Por favor venha voando”.

“Além de ter trazido grandes exposições como Anish Kapoor, Salvador Dalí, Aleijadinho e, recentemente, Basquiat e Ai WeiWei, e também grandes montagens de teatro de Bia Lessa, Enrique Diaz, Cristina Moura, Gabriel Villela, Marcio Abreu, só para citar alguns, revelou companhias de teatro de todo o Brasil, além de grandes mostras no cinema, shows e festivais internacionais de teatro”, relembra a diretora.

Museu do Amanhã

O Museu do Amanhã vai suspender a visitação gratuita das terças-feiras a partir de 28 de janeiro. O anúncio foi feito na última quarta-feira (22) pelas redes sociais da instituição. De acordo com a publicação, a medida foi tomada após o fim dos repasses de recursos por parte da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Inaugurado em dezembro de 2015 pela Prefeitura do Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã é um museu de ciências aplicadas que tem como objetivo explorar as oportunidades e os desafios que a humanidade terá de enfrentar nas próximas décadas a partir das perspectivas da sustentabilidade e da convivência.

Na exposição principal, o público é levado a percorrer uma narrativa estruturada em cinco grandes áreas: Cosmos, Terra, Antropoceno, Amanhãs e Nós, que somam mais de 40 experiências disponíveis em português, espanhol e inglês.

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