Florianópolis, 9 de agosto de 2015

Florianópolis, 9 de agosto de 2015.

Em outubro do ano passado, depois de um “sofrido” triunfo de Dilma Rousseff diante do representante direto da elite política corrupta e do capital financeiro internacional, com um grave retrocesso na integração do novo Congresso, nossos jornalistas alertaram no Desacato que “O voto em Dilma não é um cheque em branco”. Hoje, quando as pesquisas indicam que 71% dos entrevistados consideram a gestão da presidente ruim ou péssima e que outros 20% a qualificam como regular, limitando o seu apoio em 8%, superando em rejeição a pior taxa registrada por Fernando Collor exercendo a presidência, nossa advertência torna-se premonitória.

Tal é a falta de compreensão política da presidente, que é incapaz de medir a ilegitimidade que acumulou junto aos seus próprios eleitores, que nesta sexta, 7, após uma semana de inúteis incitações institucionais, afirmou que “Ninguém tira a legitimidade do meu voto”.  Porém, é evidente que foi ela mesma com as suas políticas econômicas e sociais contrarias às necessidades da população, quem destruiu sua legitimidade como presidente, eleita com apoio popular e dos trabalhadores. O que dizemos não significa aceitar e, menos ainda, promover nenhum tipo de ruptura do processo democrático.  Embora venha fantasiada de golpe branco, isso só favoreceria os inimigos do povo.

E o ambiente governamental petista segue tentando entender a crise de hegemonia presidencial, olhando através do vidro institucional deformado. Diante do desastre, Lula aconselhava, faz alguns dias, uma “reforma ministerial para combater a crise”: colocar os líderes dos “partidos aliados” nos ministérios para que possam controlar suas bancadas no Congresso. No entanto, não consegue assumir que com as tentativas degradantes e sucessivas de “conciliação nacional”, com todo o espectro da burguesia e seus representantes parlamentários da cleptocracia política, o único resultado que obtém é uma ofensiva mais violenta dos opositores.

É necessário nomear e identificar com clareza esta política falida que desarma o povo em suas reivindicações. Levando em conta que todos esses movimentos sociais descontentes hoje, faziam parte dos aliados incondicionais do PT desde o seu surgimento. O que tem conseguido o governo do PT e em especial o de Dilma é um verdadeiro recorde. É a desgraça de uma visão burocrática e estreita de democracia social, que se nega a aprender os ensinamentos ditados por um povo mobilizado por mudanças profundas.  É o fracasso do chamado “progressismo” brasileiro, ao governar junto com os empresários e rentistas aceitando os limites que eles impõem.  É, enfim, o fiasco estrito de uma estratégia suicida de conciliação e colaboração de classes.

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