Democracia grega disse OXI (Não) para autoritária Troika.

‘A partir de amanhã, a Europa, cujo coração está hoje a bater na Grécia, vai começar a curar as suas feridas, as nossas feridas. Hoje o “não” é um grande “sim” para uma Europa democrática’. Ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis.

Florianópolis, 5 de julho 2015.

Durante as últimas duas semanas vários qualificados economistas – como Joseh Stiglitz, Paul Krugman, Thomas Piketty, James Galbraith- e jornalistas como Seumas Milne disseram com absoluta clareza que o objetivo das negociações da Troika – FMI, Comissão Européia e Banco Central Europeu-, não era encontrar uma nova reformulação para o comprovado vigarista “plano de resgate” da Grécia que desenhou o capital financeiro internacional. Mas uma estratégia para humilhar e derrotar a atual administração Syriza que havia sido eleita pelo povo grego para deter os planos de austeridade.

Sabemos pelos documentos do FMI preparados para as “propostas finais” da semana passada, e publicados no The Guardian, que os credores eram plenamente conscientes dos níveis insustentáveis da dívida e a austeridade contra a população grega. Pelo menos até 2030, incluindo o cenário mais ilusório de otimismo.

As chantagens da Troika sobre o governo grego não tinham como objetivo o dinheiro, mas o poder. Toda a estratégia liderada pela chanceler alemã Angela Merkel e os franceses Christine Lagarde do FMI e Jean-Claude Trichet da burocracia financeira de Bruxelas, pretendia humilhar e expulsar Syriza do governo grego e instalar ali uma administração submissa aos interesses dos fraudulentos dos credores. Estavam atrás de uma troca de regime.

Porém, o chamado a um referendo sobre os planos de austeridade realizado de maneira oportuna por Tsipras para o último domingo, dia 5 de julho, e o resultado a favor do Não (Oxi) com a rejeição da austeridade por mais de 60% dos eleitores, assim como o crescimento do apoio ao Syriza em grandes mobilizações na praça Sintagma resultam em uma faísca de esperança sobre uma Europa agoniada pelos planos de miséria dos banqueiros do euro.

Para aqueles que ainda duvidam sobre a origem da dívida grega recomento a leitura da reveladora análise de nossa compatriota Maria Lucia Fattorelli – integrante do Comitê da Verdade sobre a Dívida Pública Grega. Ali se mostra como, por meio de medidas e resoluções ilegais tanto para normas contábeis europeias como para o direito internacional, os bancos europeus transferiram, com o consentimento da Troika, seus inúmeros ativos tóxicos da farra dos “derivados de crédito” que levaram à crise de 2007-2008, para que os europeus os pagem.

Todos os ensinamentos democráticos e econômicos que estes acontecimento na Grécia nos deixam seriam muito úteis ao Governo de Dilma Rousseff, caso ela consiga fazer-se consciente das verdadeiras razões pelas quais conta hoje com somente 9% de apoio da população do país.

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