“Plácida existência”

Publicado em: 13/07/2011 às 18:17
“Plácida existência”

Por Koldo Campos Sagaseta.

Português/Español.

Daqueles tempos, tão longínquos e próximos, que Mayor Oreja definisse como tempos de  “plácida existência” apareceram 59 cadáveres a mais. Em uma paragem de Burgos, amontoados em una comprida vala e cobertos de cal, outra vez a cal em seu empenho de apagar os rastros do crime, 59 cadáveres insistem em reclamar sua identidade e em demandar justiça.

Entre os assassinados, a maioria trabalhadores ferroviários, figuram jovens e velhos, filiados a sindicatos, republicanos… até um religioso franciscano, provavelmente Emiliano Revilla Vallejera, um padre comprometido com o evangélio e com o seu povo que, preso por falangistas m 29 de julho de 1936,  foi conduzido à prisão de Burgos, tirado junto a outros detentos em setembro desse mesmo ano  e dado por morto em 1950.  Revilla não passará por mártir nem será canonizado.

Contam vizinhos dos redores que conservam a dignidade e a memória, que os sepultaram os garis de Aranda del Duero após roubar-lhes os seus pertences, que alguns dos fuzilados, como o maquinista Fernando Macario, sobreviveu baleado na fossa até o dia seguinte em que pediu água a aqueles que depois de mijar na sua cara o remataram, e que se soube  porque seus assassinos se gabaram  pelo povo de sua hombridade.

Restam por abrir no estado espanhol quase duas mil fossas comuns  com dezenas de milhares de assassinados por aqueles que justificam seus impunes crimes  pretendendo re-escrever uma história que não condenam e que, além do mais, persistem em sua ameaça de nos sepultar com outros quarenta anos de “plácida existência”.

Versão em português: Tali Feld Gleiser.

 

De aquellos tiempos, tan lejanos y próximos, que Mayor Oreja definiera como tiempos de  “plácida existencia” han aparecido 59 cadáveres más. En un paraje de Burgos, amontonados en una larga zanja y cubiertos de cal, otra vez la cal en su empeño de borrar las huellas del crimen, 59 cadáveres insisten en reclamar su identidad y en demandar justicia.

Entre los asesinados, la mayoría trabajadores ferroviarios, figuran jóvenes y viejos, afiliados a sindicatos, republicanos… hasta un religioso franciscano, probablemente Emiliano Revilla Vallejera, un cura comprometido con el evangelio y con su pueblo que, detenido por falangistas el 29 de julio de 1936,  fue conducido a la prisión de Burgos, sacado junto a otros detenidos en septiembre de ese mismo año  y dado por muerto en 1950.  Revilla no pasará por mártir ni será canonizado.

Cuentan vecinos de los alrededores que conservan la dignidad y la memoria, que los enterraron los barrenderos de Aranda del Duero luego de robarles sus pertenencias, que algunos de los fusilados, como el maquinista Fernando Macario, sobrevivió baleado en la fosa hasta el día siguiente en que pidió agua a quienes después de mearle en la cara lo remataron, y que se supo porque sus asesinos se jactaron por el pueblo de su hombría.

Quedan  por abrir en el estado español casi dos mil fosas comunes  con decenas de miles de asesinados por quienes justifican sus impunes crímenes  pretendiendo reescribir una historia que no  condenan y que, además, persisten en su amenaza de sepultarnos con otros cuarenta años de “plácida existencia”.

Imagem: noticias.terra.es / foto de Jaime Mayor Oreja.

 

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